Como funciona a árvore de falhas na manutenção de equipamentos?

16 APR 2020 Ana Alberti

Como funciona a árvore de falhas na manutenção de equipamentos?

A metodologia da árvore de falhas pode ajudar você e sua empresa a enxergar possíveis causas primárias de problemas maiores, sendo uma ferramenta útil para a análise de falhas

Partindo de um evento indesejado pré-definido (como a falha de um motor, por exemplo), o método busca as suas possíveis causas, ou seja, é um processo que começa pelo problema, e chega até as possíveis causas básicas. 

A análise de cada uma delas busca um plano de ação para evitar a origem ou as origens do problema.  O evento indesejado é chamado de “Evento-Topo”. 

Etapas para desenvolver a árvore de falhas  

Para desenvolver uma análise usando a árvore de falhas, você pode começar pelos seguintes passos:  

- “Evento-Topo”: normalmente o evento-topo é definido a partir de uma hipótese ou situação real identificada anteriormente. 

- Construção da árvore de falhas, identificando os eventos que contribuem para a ocorrência do evento-topo, estabelecendo as relações lógicas entre os mesmos; 

- Continuar o preenchimento identificando os eventos intermediários até chegar aos eventos básicos nos “ramos” da árvore; 

- Avaliar a árvore elaborada, dando atenção para a ocorrência de eventos repetidos e/ou sua gravidade 

- Aplicar a probabilidade dos eventos básicos e intermediários, de acordo com as relações lógicas estabelecidas, até chegar ao evento-topo. 

Seguindo as etapas acima, você percebe que a árvore de falhas mostra uma avaliação retrospectiva das possíveis falhas (eventos) que contribuem para a ocorrência do “evento-topo”. Por isso a “leitura do diagrama” é realizada de baixo para cima, ou seja, dos eventos básicos para o “evento-topo”. 

Perguntas para identificar eventos intermediários e básicos:  

- Que falhas podem ocorrer? 

- Como essas falhas podem ocorrer? 

- Quais são as causas dessas falhas?    

Símbolos da árvore de falhas  

A relação entre os eventos-topo, intermediária e básica é representada por símbolos lógicos que normalmente são:  

  • Evento-topo ou intermediário: o retângulo é utilizado para representar a descrição dos eventos que ocorrem por causa de um ou mais eventos; 
  • Evento básico: representa uma falha básica que não necessita de nenhum desenvolvimento adicional; 
  • Evento não desenvolvido: um evento que poderia continuar a ser desenvolvido, mas não há interesse em fazê-lo; 
  • Porta “OU”: a saída ocorre se uma ou mais entradas da porta existirem; 
  • Porta “E”: a saída ocorre se todas as entradas da porta existirem simultaneamente 

Exemplo:  

Podemos ter como evento topo, a parada de uma máquina como um trator. Essa falha pode ter ocorrido por várias causas intermediárias como a contaminação do fluido, desgaste de peças, operação inadequada ou lubrificação ineficiente, por exemplo. 
 
O evento básico decorrente da contaminação do fluido pode ser uma vedação danificada, seja ela interna causando contaminação de fluidos diferentes ou externa permitindo a entrada de contaminantes presentes no ambiente. 
 
Logo, os primeiros itens de checagem/prevenção podem ser a análise de fluidos. Na análise investigamos a fonte da contaminação, se há presença de particulado externo ou se apresenta características de outro fluido. Somados a identificação desta contaminação é possível verificar se esta condição ocasionou desgaste e se existe a necessidade de troca do fluido. 

Suas vantagens são: 

- Conhecer mais profundamente o sistema  

- Ter dados estimados da confiabilidade desse sistema de manutenção 

- Dados sobre a frequência da ocorrência de uma determinada possibilidade 

-  Através da descoberta das causas básicas é possível evitar que eventos de maior impacto e prejuízo ocorram 

- Percepção de falhas que podem acontecer e que são difíceis de perceber  

- Melhor capacidade de decidir com base na frequência de ocorrência e nas falhas mais significativas. 

Conclusão  

Um diagrama de árvore é um instrumento usado para visualizar a estrutura de um problema, plano ou de qualquer outra oportunidade de interesse. Ele pode ser usado para avaliar enfoques alternativos de uma maneira preventiva e é uma ótima ferramenta para que você consiga pensar cenários e origens dos eventos, criando, assim, um plano de verificação e manutenção, por exemplo. 

Existem também outras ferramentas de detecção e manutenção disponíveis. Uma delas é a análise de fluidos, que, através da manutenção preditiva, é capaz de detectar contaminações, desgaste prematuro, e outros problemas antes que eles tomem maiores proporções como a parada do equipamento.